Fright das 5 às 7: Janeiro

E assim começo o desafio conforto literário que eu e a Jéssica criamos para 2023. Nada melhor do que começar o ano com um livrinho da Agatha Christie (li outro dela em dezembro também, porque sim). Eu fico extremamente nostálgica quando falo da Gata Triste. Já comentei aqui que comecei a ler por influência dos meus pais. A estante de casa sempre foi cheia de livros e tive vários dela ao meu alcance desde criança. O primeiro dela que li foi Assassinato no Expresso do Oriente (que eu reli em 2016 e fiquei surpresa com a minha falta de memória, mas foi uma ótima diversão) e uma das lembranças que tenho de juventude sou eu deitada no sofá lendo algum livro dela e ouvindo Placebo do discman durante férias de julho (o que evidencia a minha idade).

Como comentei, meus pais têm uma coleção bem bacana de livros da Christie, dos comprados nos anos 80 a algumas edições novas em capa dura. Eu prefiro ler os antigos, mesmo sabendo que a tradução possa deixar a desejar (a dessa edição é de Newton Goldman) e que tenha alguns termos problemáticos. Eu sou uma pessoa que prefere mil vezes um livro velho de sebo do que um novo com capa bonita. Enfim, dito isso, escolhi Uma dose mortal para começar o projeto.

Nosso querido Poirot está com dor e vai ao dentista. Observa as pessoas da sala de espera, os funcionários e o profissional. Volta para casa e horas depois recebe a notícia de que o Dr. Morley cometeu suicídio no próprio consultório. Poirot não acredita nisso e começa a investigar o caso. Um dos pacientes que estava lá acaba morrendo no dia seguinte, por causa de uma dose excessiva de anestésico que teria recebido do dentista. Seria isso mesmo? Ou ambos foram assassinados?

Se você é leitor de longa data da Gata Triste sabe que essa é mais ou menos a construção que a autora apresenta em seus livros. Um crime, um investigador, suspeitos e a resolução no final (claro que nem sempre, às vezes temos algumas surpresas). E é justamente isso que traz conforto, uma escrita deliciosa e um mistério que sabemos que terá solução. Uma dose mortal não entrou na lista de preferidos, mas foi uma ótima companhia para os dias chuvosos e frios que tivemos em janeiro.

Ano passado fiquei sabendo do tal do cozy mystery, algo como literatura policial aconchegante. Há diversas listas de livros. inclusive YA e achei interessante o povo falar disso agora. Agatha Christie faleceu tem tantos anos, mas segue como a autora que mais vendeu livros no mundo e até hoje inspira outros escritores. E acho bacana o pessoal chegar até ela através desses autores contemporâneos.

Aqui abro um parênteses para comentar uma coisa aleatória. Logo após meu amor por Christie, eu fui para os livros de true crime. Com 15 anos estava lendo sobre serial killers, fazendo pesquisas e etc. O assunto sempre me interessou, teve uma época no ensino médio que eu queria ser biomédica para trabalhar num CSI da vida. Hoje eu não consigo nem chegar perto desse tipo de conteúdo, tenho pavor da vida real. Mas por que será que a gente encontra conforto nesse tipo de coisa? Não vejo mais nada de serial killer, mas sempre vejo um noirzinho.

3 thoughts on “Fright das 5 às 7: Janeiro

  1. Agatha Christie é insuperável, cada livro é um novo desafio, não se repete.
    Sua criatividade jamais será superada nesse gênero literário. Amoooooooo demais ♥️

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  2. Infelizmente só um livro dela até hoje. Procurando um bom e curtinho pra encaixar nesse mês.

    Lembro que foi muito massa ler, mas por algum motivo não voltei a ler nada dela.

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  3. Fazia tempo que não lia nada da Agatha (o último foi O Expresso do Oriente, pouco antes de lançarem o filme – que ia ver e não vi…rs). Terminei de ler o título que escolhi para o Conforto Literário. Foi uma ótima forma de começar o ano. Devo postar amanhã 🙂

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