A odisseia do cinema brasileiro – Parte III

Ontem estava conversando com uns amigos sobre isso de ser fã. Acho muito bacana quem é fã de algo ou de alguém, que dedica tempo a isso. Eu tenho fases de fã. Amei x cantora por algum tempo, cansei, veio um escritor e assim vai. Uma das minhas fases foi o cinema brasileiro. Estou escrevendo sobre esse amor aqui. Demorei para voltar porque essa fase mingou. Não foi embora, de forma alguma, mas deu lugar ao terror. Eu sempre volto ao terror, não tem jeito. No fim de semana passado eu fiz uma maratona de Blade e me diverti muito.

Mas vamos aos últimos filmes assistidos:

Os cafajestes (1962, dir. Ruy Guerra)

Assisti por causa da Norma Bengell e não foi uma tarefa fácil. Esse filme tem uma das cenas mais misóginas e aterradoras que eu já vi.

Em três atos (2015, dir. Lúcia Murat)

Assisti por indicação da J. e da P., que são apaixonadas pela Nathália Timberg e estão passando um pouco desse amor para mim. O filme é lindo, muito bem dirigido pela Lúcia (ela também dirigiu Que bom te ver viva, um dos meus filmes brasileiros preferidos!), tem a ótima Andréa Beltrão, mas acho que eu não estava no dia certo para ele e não o aproveitei como devia. A revisão deve acontecer em breve.

A dama do Pacaembu (1983, dir. Rita Moreira e Maria Luísa Leal)
Lesbianism, Feminism (1974, dir.  Rita Moreira e Norma Bahia Pontes)
Temporada de caça (1988, dir. Rita Moreira)

Descobri o trabalho da Rita Moreira recentemente e me apaixonei por ele. A dama do Pacaembu traz uma conversa com uma mulher em situação de rua, entre as mansões mais caras de São Paulo. Lesbianism, Feminism foi gravado nos Estados Unidos (mas coloquei mesmo assim nesse post), numa temporada que a diretora passou lá. Fico pensando no tanto de filmes incríveis sobre feminismo aos quais eu nunca tive acesso quando era mais nova. Muita coisa teria sido diferente. Temporada de caça traz entrevistas com pessoas aleatórias na rua falando sobre o que elas acham de homossexuais. Se eu tivesse visto esse filme em 2017, eu ficaria chocada. Hoje eu vejo essas mesmas pessoas falando todas as merdas que pensam por causa desse governo atual.

Amor Estranho Amor (1982, Walter Hugo Khouri)

Sim, o filme da Xuxa. Sim, aquele que ela tentou proibir. Sempre ouvi falar desse filme, sempre enrolei para assistir, até que criei coragem. Bom, se o filme não tivesse o lance do moleque, as cenas desnecessárias de pedofilia, esse seria um ótimo filme. A trama de fundo é basicamente: o mundo está explodindo, e os ricos estão transando e bebendo.

Christabel (2018, dir. Alex Levy-Heller)

Filme baseado no poema Christabel de Samuel Taylor Coleridge, esse filme me prometeu demais e entregou pouquíssimo. Achei legal trazer essa história de vampiras lésbicas para o contexto brasileiro, mas o olhar do diretor fetichizou e estragou tudo.

Por enquanto estes são os filmes brasileiros que vi neste ano. Assim que a fase do terror passar um pouco, eu volto. Ou então, faço uma maratona de terror brasileiro. Veremos.

Imagem de capa: Walter Hugo Khouri

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