Grades de ouro, de Vita Sackville-West

Eu trabalho no mercado editorial e sei que há livro demais nesse mundo, mas sinto muita falta de alguns títulos. Muitos livros bons, principalmente de escritoras, a gente só acha em sebo. Isso não é algo ruim para mim, eu amo livro antigo, mas eu não tenho nem ideia de muita coisa que já foi publicada no Brasil. É o caso de Grades de ouro, da Vita Sackville-West, que foi lançado aqui no final dos anos 80 pela Editora Globo, com tradução da Maria Adelaide Amaral.

O nome de Vita está atrelado ao de Virginia Woolf. Elas foram companheiras (amantes é um termo que eu acho que não se encaixa para a relação delas) durante muito tempo e creio que uma acabou inspirando o trabalho da outra. Inclusive, Orlando foi totalmente baseado na vida de Vita. Eu li a edição da Penguin que traz muitas notas a respeito. Há também um filme sobre as duas, mas que infelizmente achei bem mediano.

Grades de ouro, no original The Edwardians, foi o primeiro livro que li da West e me causou boa impressão. Publicado orginalmente em 1930, o livro é, além de tudo, uma crítica à sociedade eduardiana, e também traz elementos da infância da própria autora. A era eduardiana corresponde ao período de 1901 a 1910 no Reino Unido, durante o reinado do rei Eduardo VII.

A história se foca em Sebastian, mais ou menos entre os anos 1905 e 1910, e na sua vida em Chevron, uma mansão no interior da Inglaterra. Ele é o Duque de Chevron, e enquanto não alcança a maioridade, a propriedade é gerida por sua mãe, Lucy. Muitas festas acontecem lá, e reúnem pessoas importantes (e interesseiras) com muita comida, bebidas, fofocas e casinhos.

Numa dessas festas ele conhece Leonard Anquetil, um homem simples, mas famoso por suas diversas expedições. Anquetil chama a atenção do jovem a respeito da hipocrisia que o rodeia. Ele o convida a acompanhá-lo numa dessas expedições, mas Sebastian recusa. Ele está acostumado à estabilidade da vida de luxos. Além disso, ele havia começado um caso com Lucy, amiga (casada) de sua mãe.

Claro que aí é só ladeira abaixo. Tretas, escândalos e traições. Sebastian começa a se questionar e repensar o que está fazendo com a própria vida. Nesse enredo, a autora comenta a hipocrosia da sociedade da época, dos casamentos arranjados e apenas por conveniência, dos luxos e alienação que os jovens ali vivem. Há um papel que esperam que Sebastian desempenhe. Ele segue a risca tudo que mandam, mas por quê?

Grades de ouro não é a narrativa mais fluída do mundo, mas há passagens interessantíssimas, ainda mais aquelas que desmascaram as verdadeiras intenções de todos ali. Cada um por si e as consequências que se explodam. Como comentei acima, foi uma boa experiência de leitura e eu queria mais livros da Vita Sackville-Sachs publicados no Brasil.

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