Vita Nostra, de Marina e Sergey Dyachenko

Eu não tenho o costume de ler livros da mesma editora em sequência, mas abro uma exceção para a firma (Morro Branco), é claro. Terminei recentemente a leitura de Vita Nostra, do casal ucraniano Marina e Sergey Dyachenko, publicado neste ano, com tradução da Heci Regina Candiani. Das 520 páginas, mais de 200 eu li em apenas um dia, tamanho o meu envolvimento com o enredo.

Sasha é uma jovem que sai de férias com a mãe. Na praia ela nota estar sendo seguida por um cara. À princípio ela fica um pouco assustada, mas de repente ela se vê conversando com ele. O homem misterioso dá uma tarefa para ela: nadar pelada todos os dias às cinco da manhã. Se ela não fizer isso, haverá consequências para aqueles que ela ama. Sem entender direito o que estava acontecendo, ela aceitou o desafio.

Quando volta para a casa, ela acha que toda a estranheza ficou para trás, mas não. O homem a encontra novamente e lhe dá uma nova tarefa. Desta vez ela tem que correr todas as manhãs em um parque perto de sua casa. Num dia ela não acordou a tempo, e algo ruim realmente aconteceu. Não foi nada tão grave, mas ela percebeu que não poderia escapar dessa dinâmica.

Algum tempo depois o homem conta que ela precisa ir estudar num Instituto em Torpa, uma cidadezinha que sequer aparece no mapa. Claro que a mãe reage mal, quer que a filha vá para uma universidade tradicional. Sasha bate o pé, sabe que precisa ir para lá. Para amenizar, ela diz que vai cursar apenas um ano e depois pedirá transferência. A mãe tem um novo marido, e assim a jovem sente que não fará muita diferença ela estar longe.

Chegando ao Instituto, as coisas parecem normais. Claro que tem muita coisa esquisita, mas como ela não sabia o que esperar, ainda observa tudo. Algumas das matérias são comuns, matemática, filosofia, educação física. Porém, há uma aula especial em que ela precisa fazer uma série de exercícios mentais, que aparentemente não fazem sentido algum. Aos poucos ela vai se acostumando e se aprofundando nos estudos, então muitas coisas estranhas começam a acontecer. Ela se sente mais forte, enxerga coisas fora da dimensão que vivemos e até mesmo chega a criar asas. Em seu segundo ano ali, Sasha parece não conseguir controlar seus poderes. Os professores estão assustados com o desenvolvimento dela, percebem que ela é ainda mais especial do que eles imaginavam.

O livro é basicamente isso. Ele se encaixa nessa coisa de Dark Academia que está na moda (e eu acho uma fofura) e é muito, mas muito bem escrito. Eu só não de cinco estrelas para ele porque algumas coisas me incomodaram muito. Ela só tem professores homens nesse Instituto. Mulheres não seriam capazes de passar aquele tipo de conhecimento? Além disso, há menção a algumas cenas de abuso sexual, e elas não fazem diferença alguma na narrativa. Isso me incomodou bastante. Tentei pensar que o livro foi originalmente publicado em 2007, mas mesmo assim, me deixou mal. E claro, gordofobia. Parece que essa é uma questão que nunca vai ser superada. Uma das personagens é uma jovem gorda, e ela é retratada como “nojenta”, e está sempre comendo alguma coisa.

Eu não sou uma pessoa acostumada a ler fantasia, fico sempre duvidando das coisas, mas aqui eu aceitei tudo tranquilamente. O final é totalmente aberto, os tais exercícios são complicados de se imaginar, e entendo perfeitamente quando as pessoas dizem não saber sobre o que o livro trata. Peço até desculpas pela expressão mais clichê que existe, mas esse é um livro para sentir (?).


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