Pachinko, de Min Jin Lee

Eu tenho uma enorme dificuldade de escrever sobre um livro que amei muito. Recebi Pachinko há algum tempo e ele estava aqui na fila eterna de espera. Até que eu e uns amigos resolvemos nos juntar para lermos e discutirmos com um cafézinho virtual. Eu li as mais de 500 páginas em três dias. Todo tempo livre que eu tinha era destinado a esse livro.

Nos agradecimentos a autora disse que teve a ideia de escrever o livro em 1989, quando assistiu a um programa de TV sobre coreanos que moravam no Japão. Alguns anos depois, logo após abandonar a faculdade de Direito, ela passou a escrever sobre o mesmo tema que viu na TV. Em 2007 ela se mudou para Tóquio e teve a oportunidade de entrevistar coreanos que lá moravam. Ela retomou alguns rascunhos e em 2008 começou a escrever este livro que tive em mãos, obsessivamente, por três dias.

Publicado originalmente em 2017, ele chegou ao Brasil três anos depois pela Intrínseca, com tradução de Marina Vargas. Min Jin Lee nos conta a história de uma família ao longo de quatro gerações, tendo como figura central Sunja. Pachinko é dividido em três partes, e a primeira cobre a história de 1910 a 1933. Tudo começa em Yeongdo, na Coreia. Na primeira página a autora já fisga a sua atenção e te leva para conhecer essa família.

Sunja vivia com os pais numa pensão, a qual alugavam para pescadores. Quando ela tinha 13 anos seu pai faleceu, ela e a mãe tiveram que trabalhar arduamente. Dois anos depois um viajante chega à pensão pedindo abrigo, pois estava muito frio e ele não se sentia bem. Isak estava com tuberculose e precisou ficar acamado por meses, aos cuidados das duas mulheres.

Nesse meio tempo Sunja conhece Hansu, um homem mais velho, negociante coreano que vive no Japão e viaja para a Coreia a negócios. Em pouco tempo eles se aproximam e Sunja engravida. Ele não pode se casar com ela, pois já é casado e tem filhos. Ela pede que ele suma de sua vida, e conta sua situação para a mãe, sem saber muito o que fazer. Isak melhora da doença e numa conversa com a mãe de Sunja descobre o que está acontecendo com ela.

Descobrimos que Isak é um pastor e após uma conversa longa com um líder religioso local, ele decide se casar com Sunja e assumir o filho que ela carrega. A mãe e ela veem isso como uma benção, uma salvação, e ela embarca com o marido para o Japão. Lá eles passam a viver com o irmão do marido e a cunhada. Isak começa a trabalhar na igreja local, mas o dinheiro é mínimo. Yoseb, o cunhado, passa então a trabalhar cada vez mais para ajudar o irmão e a cunhada, e o filho deles que estava para nascer.

A segunda parte do livro cobre dos anos 1939 a 1962. A Segunda Guerra Mundial explode, os coreanos sofrem preconceito no Japão e passam por situações humilhantes, o dinheiro é pouco e as mulheres querem trabalhar, mas Yoseb não deixa. Sunja já deu a luz a seu primeiro filho, Noa, e agora é mãe de mais um bebê, Mozasu. Em meio a tudo isso Isak é preso, tido como comunista, e a família passa muito tempo sem ter notícias dele.

A terceira e última parte vai de 1962 a 1989, aqui já temos uma Sunja avó, com filhos adultos e com seus próprio trabalhos, mas com alguns fantasmas do passado a assombrando, sejam eles resultado da guerra ou de relações pessoais.

Uma coisa que eu achei mais do que interessante na narrativa é como a autora corta bruscamente o enredo. Num capítulo temos x pessoa viva e bem, na outra está morta depois de uma tragédia. Notícias de gravidez, de empregos novos, de relacionamentos. Por isso a necessidade de ler rápido, não sabemos o que nos espera no capítulo seguinte. Além disso, a escrita e a tradução são muito fluídas, ricas de detalhes da cultura coreana, do que é ser coreano no Japão, país hostil a eles. Há passagens sobre a divisão da Coreia, mas isso do ponto de vista das pessoas pobres, que sonham em voltar para suas casas que não mais existem. E o título? Prefiro não contar, é muito interessante ver como a narrativa chega ao ponto do que nomeia o livro.

Digo que tenho dificuldade para dizer o porquê de um livro ser tão maravilhoso, e é verdade, então peço que confiem em mim e leiam Pachinko, e claro, me contem o que acharam.


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